Há dias em que me sinto assim... vazia...
Vazia de sentimentos, de pessoas, de família, de amigos.
Tenho saudades do tempo em que era criança e tudo corria bem.
Mas pensando bem, nem mesmo em criança as coisas corriam da melhor forma.
Eu tentava ser o melhor possível, era quase sempre a melhor na escola, tentava ser a filha perfeita, nunca dei um único problema em casa, mas tudo o que recebia em troca era a indiferença da família.
Uma família que nunca foi uma verdadeira família, com uma mãe que nunca gostou de mim.
Afinal, acho que também não tenho saudades nenhuma de ser criança...
Mas agora já cresci, já não sou mais aquela criança lourinha de olhos verdes que passava os dias a estudar e a ser bem comportada. Tão elogiada pelos de fora e tão abandonada dentro da própria casa.
Agora sou uma pessoa muito mais triste ainda.
Sempre dei o meu melhor em tudo o que fiz, na escola, no trabalho, com os amigos... mas pelos vistos não dei o suficiente.
Mudei de cidade à pouco tempo, a pensar que podia começar do zero.
Mas afinal é tudo igual; acho que o problema é mesmo meu.
Sinto-me sozinha, deslocada, e com os meus amigos longe (afinal eram eles o meu único suporte).
Conheci uma pessoa quando vim para cá e pensei que finalmente tinha encontrado a minha pessoa especial.
Uma pessoa um pouco triste como eu, solitária também, embora que por outras razões.
Achava que estava na altura de dar o melhor de mim mais uma vez.
Escondi e deixei para trás toda a minha tristeza (como aliás o sei fazer tão bem, afinal toda a minha vida aprendi a esconder tristezas e sentimentos) e resolvi ser uma pessoa alegre, mas pelos vistos pela frente tinha uma difícil tarefa.
A tarefa de lhe ensinar que na vida podemos ser felizes e que a única forma de multiplicar essa felicidade é dividi-la com alguém.
Dessa tarefa jamais me arrependerei.
Mas mais uma vez o meu empenho não chegou.
Ao fim de algum tempo soube que tinha falhado novamente.
Segundo ele, ele tem um coração demasiado fechado, nunca conseguiu amar ninguém verdadeiramente, e não sabe se o que sente por mim chega para ter uma relação mais forte. Eu sou uma excelente amiga, mas quanto ao resto vai na cabeça dele um turbilhar de emoções e sentimentos que ele não sabe explicar, nem sabe o que sentir.
O problema, segundo ele, é que nunca aprendeu a amar, e não acha ser capaz de fazê-lo agora.
Disse-me que isto não podia ir mais longe; era o melhor para mim.
O mundo mais uma vez desmoronou-se na minha cabeça.
Mas afinal quem é que sabe o que é melhor para mim?
Só eu sei o que sinto por aquele homem com aquela magia e mistério, com aquela forma de ser e de pensar... Eu amo aquela pessoa especial.
Não sei se irei lutar por uma causa à partida perdida.
Ainda não sei o que vou fazer, mas para já sinto-me demasiado mal para fazer o que quer que seja.
Acho que vou ficar quieta no meu canto e simplesmente esperar que o tempo passe, que o vazio se dissipe e que esta dor acalme.
Afinal, acho que não nasci para ser feliz...
sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Metade (Oswaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também
E assim sou eu... Estas metades...
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também
E assim sou eu... Estas metades...
Finalmente
Finalmente hoje decidi criar um blog!
Mas um blog um pouco à imagem de um antigo e verdadeiro diário.
Primeiro pensei em fazê-lo o mais simples possível. Fundo branco, letras pretas, sem muitas imagens...
A seguir tinha de pensar num nome para ele, e decidi chamar-lhe Duas Metades, talvez um pouco inspirada num poema de Oswaldo Montenegro que tanto adoro.
Depois decidi que queria manter a minha privacidade o máximo possível. Sem revelar nome, ou qualquer outra coisa que me identifique.
Mas pensando melhor, acho que isso não vai ser fácil. Afinal de contas quem me conhece bem e vier um dia a ler este blog, de certeza vai reconhecer-me nele.
Mas enfim, pelo menos vou tentar.
Não pensem que vão sair daqui grandes textos ou belos poemas. Nada disso!
Aqui vão aparecer apenas ideias, pensamentos de uma pessoa que nem sempre é feliz como desejava.
Este vai ser o diário de uma pessoa a quem nem sempre a vida corre bem, mas que tenta vivê-la a cada dia.
Bom, vamos ver como corre.
Eu vou dando notícias...
Mas um blog um pouco à imagem de um antigo e verdadeiro diário.
Primeiro pensei em fazê-lo o mais simples possível. Fundo branco, letras pretas, sem muitas imagens...
A seguir tinha de pensar num nome para ele, e decidi chamar-lhe Duas Metades, talvez um pouco inspirada num poema de Oswaldo Montenegro que tanto adoro.
Depois decidi que queria manter a minha privacidade o máximo possível. Sem revelar nome, ou qualquer outra coisa que me identifique.
Mas pensando melhor, acho que isso não vai ser fácil. Afinal de contas quem me conhece bem e vier um dia a ler este blog, de certeza vai reconhecer-me nele.
Mas enfim, pelo menos vou tentar.
Não pensem que vão sair daqui grandes textos ou belos poemas. Nada disso!
Aqui vão aparecer apenas ideias, pensamentos de uma pessoa que nem sempre é feliz como desejava.
Este vai ser o diário de uma pessoa a quem nem sempre a vida corre bem, mas que tenta vivê-la a cada dia.
Bom, vamos ver como corre.
Eu vou dando notícias...
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